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Dicas para você usar as palavras com mais clareza

 

Imagine que você quer cozinhar um prato que nunca fez antes. Digamos, uma lasanha. Qual a primeira coisa a fazer? Claro, você procura a receita em um livro ou online. Mas vamos imaginar que é isto que você encontra:

Escolha ingredientes frescos, pensando na procedência e na qualidade. Use uma travessa estilosa e coloque tudo na ordem certa, prestando atenção não apenas no conteúdo, mas também na estética da sua refeição. Pré-aqueça o forno na temperatura ideal e deixe sua lasanha assando até que fique perfeita. Está pronta sua lasanha feita no Brasil, mas com alma italiana.

O que foi isso? Você só queria aprender a fazer!

Claro que se você procurar uma receita você não encontra nada assim, mas é desse jeito que muita gente fala e escreve para vender o seu produto ou serviço e até na hora de ensinar alguma coisa.

Você já deve ter visto isso. Aquelas apresentações e textos que falam, falam e não dizem nada. Uma série de palavras de efeito, prontas para SEO e com o máximo de jargões.

Quer um exemplo? Nos nossos cursos, de vez em quando mostramos este trecho:

Sistema 100% WEB composto de módulos que permitem o gerenciamento das informações em nível departamental e de forma corporativa. Níveis de parametrização que permitem personalizar e integrar os módulos, dando as características das regras individuais de negócio de cada empresa.

Se você não dormiu lendo o último parágrafo, como poderíamos dizer a mesma coisa de maneira mais simples?

Sistema 100% WEB e customizável.

Pronto. Precisa mais que isso?

Quando nós do grupo Seixas resolvemos reformular nosso site, esta era nossa principal preocupação: sermos objetivos e explicar da melhor forma o que fazemos. Não está perfeito (e nada é), mas achamos que o que fizemos foi a melhor maneira de comunicar e nos esforçamos ao máximo para deixar tudo o mais simples possível.

Essa também é a função deste texto. Aí vão dicas para ajudar você a falar e escrever com mais clareza. Vamos lá?

 

“A maldição do conhecimento”

Saber muito sobre um assunto pode ser um problema. Nós acabamos entrando em detalhes que às vezes não interessam o nosso público. Ao invés de dizer que:

As fontes serifadas são melhores para textos longos porque as estruturas horizontalizadas chamadas ‘serifas’ criam linhas imaginárias que conduzem o olhar do leitor ao longo das linhas.

Talvez seja melhor dizer que:

As fontes serifadas são melhores para textos longos porque as estruturas horizontalizadas chamadas ‘serifas’ criam linhas imaginárias que conduzem o olhar do leitor ao longo das linhas.

O significado é o mesmo, mas talvez não seja necessário entrar em tanto detalhe naquele momento.

 

Trocando palavras

George Orwel já dizia: “Nunca use uma palavra complicada quando uma simples servir.”

Às vezes usamos verbos raros, termos técnicos e palavras estrangeiras (a não ser que não exista em português). É tudo um esforço de parecermos mais inteligentes, mas estamos é diminuindo a qualidade da nossa comunicação.

Esqueça então o “budget” e o “mindset”. Temos “orçamento” e “mentalidade”. O “decréscimo nos índices de autonomia corporativa é inversamente proporcional ao engajamento dos colaboradores” só significa que as pessoas participam mais quando têm liberdade de ação. Ah, e “quelônios” são tartarugas, se o seu público não for 100% formado por biólogos.

 

Seja óbvio

Não é a primeira vez que dizemos isso e vamos repetir: nem sempre o que é fácil para você também é para a sua audiência. Vamos dizer que você está descrevendo um processo industrial e “pula” a explicação de um conceito porque “é claro que todo mundo já sabe”. Nem sempre. E quem não souber não vai entender mais nada da sua explicação.

Então não se preocupe de falar coisas “óbvias”. Para muita gente talvez seja isso que falta.

 

Pense no público

Você deve ter percebido que sempre usamos os termos “para o seu público” várias vezes acima. Não foi à toa.

Tudo o que dissemos serve para uma audiência genérica, com todo o tipo de gente. Mas se você sabe que todo os presentes entendem bem de um assunto, quebre as regras um pouco. O termo “dispneia” pode ser usado ao invés de “falta de ar” se estamos falando para médicos, por exemplo.

Mesmo assim, não vale a pena arriscar nem exagerar. Procure simplificar sempre que possível, mesmo que tenha certeza de que vai ser entendido.

 

Evite ser vago

E voltamos ao caso da lasanha. Queremos que a nossa fala ou o nosso texto seja interessante e útil. Para isso, usamos palavras bonitas e falamos do assunto de maneira vaga, porque assim parece que tudo fica mais importante. Com isso, não explicamos nada direito e até mudamos o significado sem querer.

Por isso, não seja um “especialista em mobilidade urbana”; seja um técnico de trânsito. Uma “casa rústica” pode esconder um imóvel caindo aos pedaços. Aquela metodologia inovadora pode ser algo bem antigo, só que com um nome chamativo.

 

Então você já sabe: escrever alguma coisa com clareza é mais honesto e eficaz. Dê a receita de lasanha ao invés de fazer um comercial dela.