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Grupo Seixas

Tudo tem design. E o bom design pode ser só uma questão de perspectiva

Ao dar workshops, eu costumo fazer uma pergunta aos participantes: “Quem aqui já teve dificuldade para acertar o relógio de um micro-ondas ou aparelho similar?”

Algumas mãos se levantam. Alguns olhares tímidos para os lados. Outros balançam a cabeça positivamente. Uns poucos ficam calados ou dizem que não.

Mentirosos.

Todo mundo já teve uma experiência ruim com alguma interface. Do micro-ondas ao smartphone, do hodômetro do carro ao sistema operacional, não há quem não tenha tido alguma dificuldade, alguma vez na vida. E isso acontece mesmo com o famoso Manual do Usuário nas mãos.

E aí eu digo algo que surpreende a maioria das pessoas: A culpa não é sua.

Isso mesmo. Nossa primeira reação é pensar que simplesmente não somos inteligentes; que não temos a capacidade de dominar aquela interface. Ficamos velhos e só a “garotada” dá conta disso.

Mas a verdade é que a responsabilidade não é nossa. Ela é de quem criou o micro-ondas, o carro, o aparelho. Era obrigação desse fabricante desenvolver algo simples, fácil e intuitivo de usar, mas ele falhou conosco.

Então vou repetir para que você se lembre bem. Não é sua culpa. OK?

Design está em tudo

Se estiver em uma casa ou edifício, olhe pela janela. Se estiver na rua, olhe ao redor. O que você vê? Arquitetura, carros, objetos, árvores.

Agora eu quero que você vá além. Perceba que os edifícios têm formatos específicos para atingir objetivos específicos. Hospitais têm alamedas para carros e ambulâncias. Shopping centers têm estacionamentos. Prédios residenciais têm muros para manter os não-moradores de fora. A pintura de uma casa rosa foi escolhida por alguém que queria expressar alguma coisa. O crescimento de uma árvore não é obra humana, mas a decisão de onde plantar é.

Está sentado(a)? Sua cadeira foi construída porque uma pessoa que tomou uma série de decisões. Quais materiais deveriam ser usados? Qual deveria ser a cor? Com braços ou sem braços? Rodas? Ajuste de encosto?

A marcação, no piso, de um trajeto de fila de banco. A posição dos caixas de uma loja. A cor de fundo de um slide de PowerPoint. O rótulo de uma garrafa de cerveja. Um botão de controle remoto. A distância dos quartos do hotel em relação ao elevador. O formato e a cor do botão “compre” em um site de e-commerce. Até a estrutura escolhida para um texto de e-mail.

Tudo isso envolve design. Tudo isso tem uma aparência e uma funcionalidade que foi decidida por alguém.

É aí onde está o problema: Quem tomou essas decisões por nós?

Maus professores

Em geral, o design é feito por alguém que entende do assunto, não necessariamente por um designer.

Por exemplo, uma UI (interface do usuário) pode não ter sido feita por alguém especializado, e sim pelo próprio programador. O resultado pode ser um aplicativo difícil de usar, porque o desenvolvedor entende profundamente das funcionalidades, mas não tem ideia de como o usuário vai encarar tudo aquilo.

O resultado é o que vemos nos micro-ondas: Uma complexidade excessiva, que tenta incorporar todas as possibilidades que o sistema pode oferecer. Temos função pipoca, descongelamento e batata assada, mas só queríamos acertar o relógio…

Você já teve um professor que dominava como poucos a matéria, mas não sabia transmitir esse vasto conhecimento? Pois é. O princípio é o mesmo. São objetos criados por pessoas que sabem o que estão fazendo, mas por isso mesmo não conseguem criar um design objetivo.

E claro, ter um designer ou especialista para tomar essas decisões também não é garantia de sucesso. Existem designers ruins.

Zen e a arte do bom design

Então o destino cruel de tomar decisões de design recaiu sobre você? Não há um designer competente para salvar a sua empresa ou seu projeto pessoal? Não tema. Basta pensar como um principiante.

Em sua ótima biografia de Steve Jobs, Walter Isaacson cita como o fundador da Apple era influenciado pela filosofia oriental, especialmente o zen-budismo. “Comecei a perceber que a consciência e o entendimento intuitivos eram mais significativos que o pensamento abstrato e a análise lógica intelectual”, ele chegou a dizer.

Para os budistas, esse tipo de pensamento é a Mente de Principiante, isto é, uma forma pura de resolver problemas, sem a influência negativa do conhecimento prévio.

Parece complicado, mas o conceito é simples. É como se o programador do exemplo acima deixasse de lado seu conhecimento e passasse a pensar como um usuário do aplicativo, como um completo principiante. Aí ele é capaz de prever as necessidades e os problemas do público em geral.

Segundo Tony Fadell, conhecido como o “pai” do iPod, esse era um dos pilares para o desenvolvimento na Apple. Pensar como um principiante foi o segredo da incrível simplicidade e facilidade de uso do aparelho que prometia “1000 músicas no seu bolso”.

Seja óbvio

Se serviu para Jobs e as mentes brilhantes da Apple, também serve para nós. Não importa o quanto você sabe sobre um assunto, ao tomar decisões sobre design ou até mesmo para falar sobre um tema complexo, mude de perspectiva. Imagine que você não sabe nada sobre o tema ou que nunca teve contato com aquela interface, serviço ou dispositivo.

Isto é o que dizemos no Grupo Seixas ao desenvolver apresentações e discursos para nossos clientes: seja óbvio. O que é evidente para você talvez não seja tão fácil para o seu público.

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