A preparação é a garantia do sucesso


O balançar de uma das pernas freneticamente embaixo da mesa já denunciava a ansiedade pelo momento que viria a seguir. Enquanto aguardava a vez de se apresentar, o olhar se dividia entre o palestrante que o antecedia e suas anotações.

Aqueles papéis, revisados de última hora, eram a âncora para garantir que sua apresentação sairia conforme desejava. O tempo que lhe restava não era favorável e, por isso mesmo, uma ou duas anotações de última hora eram feitas enquanto o mestre de cerimônias anunciava seu nome e o tema que iria falar.

Segundos depois, ele estava em pé em frente ao púlpito, com suas anotações em uma das mãos e o passador de slides em outra. Agora, ele sabia que não haveria saída, era fazer ou fazer aquela palestra.

Com um sorriso no rosto, ele começou o seu discurso, mas logo nos primeiros minutos a voz começou a falhar, resultado do nervosismo que, naquela altura, já havia se espalhado pelo seu corpo. Pigarreou levemente para espantar a ansiedade e retomar o controle.

Não demorou muito, a voz falhando juntamente com uma palavra esquecida fez com que seu primeiro tropeço fosse notado. Em seguida, mais um e outro. Uma gaguejada já denunciava que ele não estava tão preparado assim. Porém, como algo doloroso que precisa ser terminado, lá foi ele até o fim.

Ao final, enquanto recebia os aplausos da plateia, ele voltava para seu lugar ainda tentando acalmar os ânimos, dividido entre a sensação de alívio e a percepção de que aquilo não saíra conforme havia planejado.

Você já passou por essa experiência? Já foi tomado pelas mesmas sensações após uma apresentação? Sabe como evitar isso ou, pelo menos, diminuir esse mix de sentimentos? Nós separamos aqui, explicações e recomendações, que vão te ajudar a fugir desse tipo de problema. Vamos a elas:

1 – “Falar de improviso é a minha melhor qualidade”

Ao longo dos últimos anos venho preparando executivos e personalidades para construírem um discurso impactante associado a uma ótima performance enquanto entregam seu conteúdo. Posso afirmar, com absoluta certeza que, de cada 10 executivos, 7 acreditam que falam muito bem  de improviso.

Eu reconheço que alguns deles até se saem muito bem. Talvez mais por sorte do que por competência. O incrível é que, muitos se arriscam quando tem a oportunidade de se dedicar e executar uma brilhante apresentação, mas acreditam que do jeito que fazem conseguem se sair bem.

A história citada acima é um caso real que presenciei. Nele, o executivo também acreditava que daria conta de falar de improviso, dada a sua experiência com reuniões e eventos.

Eu acredito que o improviso é salutar e deve ser praticado. Mas, até para isso é preciso PREPARAÇÃO. Veja um artista de stand-up comedy, o que para muitos pode soar como alguém hábil o suficiente para improvisar de maneira magistral, nada mais é do que alguém esperto o suficiente para se preparar até para os momentos em que é pego de surpresa.

Tratando-se de apresentações, reuniões de negócios, etc… o único caminho é a preparação. E não importa o tamanho do seu desafio: se é uma palestra de 2 horas ou um pitch de 5 minutos. Prepare-se!

2 – “Não gosto de treinar porque já sou muito bom, prefiro ir direto pra batalha”

Imagine como seria se todo atleta de alta performance pensasse da mesma maneira? É claro que o talento conta muito, mas treino também faz diferença. Do contrário, por que Usain Bolt ou Cristiano Ronaldo que são atletas com um talento absurdamente nato, treinariam intensamente para atingirem seus resultados?

Agora vamos pensar na sua comunicação. Se você já é uma excelente comunicador, a sua preparação só vai deixar essa técnica ainda melhor. A sua mira vai ficar mais certeira. Porém, se você tem dificuldades para ajustar sua comunicação só lhe resta se preparar cada vez mais. Treine, treine, treine!

3 – “Qual a quantidade ideal de tempo para se preparar?”

É interessante que em se tratando de comunicação não há uma fórmula mágica ou ciência exata. Mas, quanto mais tempo dedicar, melhor vai ficar. Ouço com frequência, de executivos que reservaram tempo para se preparar, o quanto eles relatam que se sentiram mais confiantes, seguros e precisos na sua comunicação quando tem que fazer uma apresentação, ou falar durante uma reunião importante de negócios.

Quando estive em Nova Iorque sendo treinado pela equipe do TED Talks, o maior evento de palestras do mundo, fiquei impressionado com o grau de preparação de cada palestrante que sobe no palco do TED Global.

Para você ter uma ideia, para uma pessoa falar por 18 minutos, ela passa por uma preparação de 7 meses. São, em média, 100 horas dedicados para escrever o que ela irá falar naquele período de 18 minutos e mais 100 horas para treinar a performance, ou seja, a forma como ela irá entregar a mensagem do seu discurso.

E essa preparação é obrigatória tanto para um cientista que nunca deu uma palestra, quanto autoridades mundiais que são convidadas a palestrar no TED, como o presidente Barack Obama ou Papa Francisco.

Portanto, meu caro, se Obama e Papa Francisco passam por uma preparação desse nível, quem dirá nós, meros mortais. Pense nisso!

4 – “Quando erro, sinto que todos percebem que sou uma fraude”

É impressionante como muitas pessoas se martirizam ao falar de seus erros cometidos no palco de uma apresentação ou ao final de uma reunião. Algumas delas se torturam. O que costumo dizer é que errar é humano. Nem sempre vai ser possível acertar tudo. Muitas vezes, o erro foi gritante para você que sabia sobre a sua preparação, mas para o público que o assistia aquilo passou absolutamente despercebido.

Não fique jogando luzes em cima do problema. Ou seja, não coloque os erros em posição de destaque. Tropeçou, corrija, peça desculpas se necessário, e siga em frente.

Já vi alguns palestrantes que estavam falando muito bem, mas erraram de forma quase microscópica, e ao perceberem isso, resolveram externar os motivos daquela falha para o público. É como se tentasse justificar a falha jogando ainda mais luz nela. Veja como fazem os apresentadores de televisão ao errarem uma informação: pedem desculpas, corrigem e seguem a adiante sem perder a confiança.

5 – “Fico tranquilo porque tenho meus slides para me ajudar”

Algumas pessoas se sentem mais seguras ao ter em mãos slides de suas apresentações. Elas se valem deles para suprimir o nervoso ou ter um pouco mais de segurança. É como se elas pudessem se esconder por trás deles ou ainda se guiar por eles. Qual é o erro disso? Primeiramente, agindo dessa forma você está dizendo para o seu público que os slides são mais importantes, e isso é um erro.

Segundo que, se apresentar confiando nos slides pode ser um erro gravíssimo. Já vi pessoas que confiaram nisso, e na hora “H” tiveram problemas com suas apresentações, não podendo usar seus slides. O resultado foi desastroso.

Meu conselho pra você é: nunca dependa dos slides. Vou além: os slides nunca devem ser mais importantes que você. Não corra risco desnecessário! Se prepare ao ponto de não depender deles. Afinal, a sua apresentação deve ser a moldura do que é mais importante: a sua mensagem e a forma como você a entrega. Pense nisso!

Tem dúvidas? Mande pra gente! Quer se preparar? Converse com nosso time!